Wednesday, November 30, 2005

Interpretação Onírica

Deitada no divã começou a descrever. Havia muito tempo que não lembrava de um sonho. Sonhava, de fato, mas nunca lembrava.

Estava lavando a boca depois da escovação matinal e sentiu gosto de sangue. Levou as mãos molhadas à boca, encheu-a de água e a água retornou com aquela coloração vermelho claro. Era sangue. Sangue vermelho, pia branca. O que isso significava?



"Eu tenho a minha Loucura !Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura, E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios..."
José Régio

Friday, November 04, 2005

Chegou tarde, a película já havia começado e a sala estava escura, sentiu um perfume. Era aquele perfume, sabia que era, muito anos haviam se passado, mas os sentidos ainda permaneciam vivos a lembrar o antigo amor. Era ele, tinha certeza que sim, poderia sentí-lo através do seu perfume único e singular. Estava no assento da frente! Hesitou, mas olhou, estava ajeitando os óculos com a ponta do dedo indicador, acomodando-o em seu nariz. Não restava dúvidas, era ele, reconhecia o seu jeito peculiar de exibir os óculos, sinal de sua intelectualidade, aqueles óculos por vezes manchados pelo seu rosto a beijar o jovem intelectualzinho.
O filme era bom, tentou se concentrar, mas o perfume lhe penetrva as lembranças. As luzes se acenderam, levantou-se de súbito para cumprimentá-lo. Não era ele. Descobriu então que seu perfume não era único. Ultrapassado. Antigo. Inútil. Morto.

=> Pra dizer Adeus~Edu Lobo/Tom Jobim